O 40º aniversário «The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the
Spiders from Mars» encontra um David Bowie na reforma a gerir o vasto
património que deixou à humanidade desde a segunda metade do Séc. XX. De
acordo com o seu biógrafo, dificilmente abandonará esse retiro mas se
uma condição verbal fosse necessária para descrever este álbum e todo o
trajecto do «camaleão» seria um pretérito quase perfeito.
Do ponto de vista conceptual, «…Ziggy Stardust…» é um farol da
representação musical, da criação de uma personagem sustentada num
argumento traduzido em canções. E que canções! De «Moonage Daydream» a
«Ziggy Stardust», terminando em «Rock´n´Roll Suicide», Bowie escrevia um
dos capítulos supremos da história do rock, particularmente o de 70.
O alter-ego andrógeno era não só o traço de uma época de excessos e
extravagâncias - que teve em Alice Cooper e nos Kiss as outras
personagens de maior revelo - como uma referência ainda hoje recorrente
na caracterização de uma personagem sustentada pela música. Marylin
Manson, Lady Gaga ou Lana Del Rey demonstram que, décadas depois, a
história não perdeu actualidade.
Ascenção e a queda de um superherói do rock dão origem a hinos que
não se viriam a revelar proféticos para Bowie: este seria apenas o
primeiro capítulo de uma narrativa que se iria virar para a América
negra na trilogia «Pin Ups», «Diamond Dogs» e «Young Americans» antes de
encontrar em Berlim a sede de todas as experiências. Se o significado
histórico não for suficiente, a remasterização do som é, de facto, uma
mais-valia.
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08/06/2012
13/06/2010
GLAM ROCK
Se há expressão que sintetiza o que de mais marcante aconteceu no panorama pop/rock de 1972, ela é, simplesmente: glam rock. O movimento nascera pouco antes, conhecendo em Marc Bolan (e nos seus então "electrizados" T-Rex) o seu fundador. Com melodias pop simples e irresistíveis, traçadas a electricidade e com viço dançante, as canções faziam-se acompanhar por uma imagem de ostensivo glamour com raízes possíveis de encontrar no cinema dos anos 30 ou na força do look das estrelas rock'n'roll dos anos 50 e frequentes traços de androginia. David Bowie vestiu a nova ideia a rigor. E apresentava-se de som e imagem renovados num álbum que se afirmaria como um dos títulos mais influentes de toda a discografia pop/rock dos setentas: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars.
Além de Ziggy Stardust de Bowie, outros títulos do glam rock fizeram a banda sonora de 1972. Foram eles Roxy Music (o álbum de estreia), dos Roxy Music, The Slider , dos T- -Rex, All The Young Dudes, dos Mott The Hopple, ou Glitter, de Gary Glitter. Não muito distante do universo glam rock está ainda outro disco marcante de 1972. Produzido por David Bowie, Transformer, o segundo álbum a solo de Lou Reed, é talvez o mais importante dos discos da obra do músico, incluindo, entre outras, canções como Satellite of Love, Perfect Day ou o ultraclássico Walk on The Wild Side.
Num espaço musical diferente, o ano acolheu uma série de importantes discos de grandes autores de canções. Nick Drake editava em Pink Moon o seu melancólico terceiro e último álbum. John Cale lançava The Academy In Peril. Neil Young gravava Harvest. O "rock alemão" dava importantes sinais de agitação em discos como Neu, o primeiro dos Neu, Egg Bamyasi dos Can, Cluster II, dos Cluster ou Carnival In Babylon dos Amon Düül II.
1972 foi ainda o ano em que o mundo conheceu 666 dos Aphrodite's Child (a banda grega onde militavam Vangelis e Demis Roussos) e America Eats It's Young, dos Funkadelic.Michael Jackson lançava Ben e os Genesis apresentavam Foxtrot. George Harrison liderava uma recolha de fundos pelo Bangladesh em disco e, dos Pink Floyd, chegava ao mercado Obscured By Clouds. Ouvia-se ainda American Pie, de Don McLean, Popcorn, dos Hot Butter, e Layla, de Derek & The Dominoes.
Do nosso lado da fronteira, 1972 foi o ano da estreia em álbum de Sérgio Godinho, em Os Sobreviventes. E de Traz Um Amigo Também, de José Afonso.
Além de Ziggy Stardust de Bowie, outros títulos do glam rock fizeram a banda sonora de 1972. Foram eles Roxy Music (o álbum de estreia), dos Roxy Music, The Slider , dos T- -Rex, All The Young Dudes, dos Mott The Hopple, ou Glitter, de Gary Glitter. Não muito distante do universo glam rock está ainda outro disco marcante de 1972. Produzido por David Bowie, Transformer, o segundo álbum a solo de Lou Reed, é talvez o mais importante dos discos da obra do músico, incluindo, entre outras, canções como Satellite of Love, Perfect Day ou o ultraclássico Walk on The Wild Side.
Num espaço musical diferente, o ano acolheu uma série de importantes discos de grandes autores de canções. Nick Drake editava em Pink Moon o seu melancólico terceiro e último álbum. John Cale lançava The Academy In Peril. Neil Young gravava Harvest. O "rock alemão" dava importantes sinais de agitação em discos como Neu, o primeiro dos Neu, Egg Bamyasi dos Can, Cluster II, dos Cluster ou Carnival In Babylon dos Amon Düül II.
1972 foi ainda o ano em que o mundo conheceu 666 dos Aphrodite's Child (a banda grega onde militavam Vangelis e Demis Roussos) e America Eats It's Young, dos Funkadelic.Michael Jackson lançava Ben e os Genesis apresentavam Foxtrot. George Harrison liderava uma recolha de fundos pelo Bangladesh em disco e, dos Pink Floyd, chegava ao mercado Obscured By Clouds. Ouvia-se ainda American Pie, de Don McLean, Popcorn, dos Hot Butter, e Layla, de Derek & The Dominoes.
Do nosso lado da fronteira, 1972 foi o ano da estreia em álbum de Sérgio Godinho, em Os Sobreviventes. E de Traz Um Amigo Também, de José Afonso.
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