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29/05/2012

JOHN WATERS E AS VIAGENS PARA O NOVO LIVRO

 John Waters e a banda Here We Go Magic
 
Um aviso aos leitores que podem estar dirigindo no fim de semana do Memorial Day: se, como você viajar pelas estradas dos EUA,  ao dar uma carona, pode encontra-se, com uma pessoa de bigode, um lápis e um olhar travesso em seus olhos. O cineasta de culto John Waters tem percorrido o seu caminho por todo o país em busca de material para um novo livro.

Isso não é tão improvável como pode parecer. Nos últimos dias, uma banda de indie rock de Brooklyn, um casal de Illinois e um jovem legislador de Maryland todos relataram encontros inesperados na estrada com Mr. Waters, escritor e director, 66 anos, de filmes voluntariamente trashy como "Desperate Living," "Poliéster" e "Hairspray".
 
Numa viagem Mr. Waters disse que levou oito dias e 15 passeios para levá-lo de uma das extremidades do país ao outro, acumulou inúmeras anedotas para um livro que tem provisoriamente intitulado "Carsick" e que será publicado pela Farrar, Straus & Giroux.
 
 A minha vida é tão over-scheduled, o que acontecerá se eu lhe der o controle?"
Ao fazê-lo, disse que encontrou um verdadeiro corte transversal da América: " pot smokers, policiais, toda a gente. E toda a gente foi linda."

Tendo começado a pegar carona numa idade precoce, Waters disse que tinha tido experiências positivas apenas no passado. "Eu nunca encontrei uma pessoa assustadora," realmente, disse. "Quando você é jovem, as pessoas vêm em você muito mais."

18/05/2012

JORGE FALLORCA

Poeta, prosador, bloguista, tradutor profissional, Jorge Fallorca é um caso singular dentro de uma literatura assumidamente “marginal”. Este seu livro ? que reúne blogues de prosa agora trabalhada ? é una VIAGEM que vai ao encontro das suas raízes, a Mortágua natal.
As memórias e os instantes revividos são bem significativos da sua original maneira de estar na vida ? ou de andar nela com os blues e os romances às costas. Do mesmo Autor consta o livro “ÁGUA TATUADA

17/04/2012

BRUCE CHATWIN

«Um grande estilista. Nenhuma palavra se desperdiça nesta narrativa em que cada frase é composta e polida com um cuidado microscópico», escreveu o Daily Telegraph sobre «Utz», de Bruce Chatwin, editado pela Quetzal.

«No cuidar da sua coleção  de porcelanas de Meissen,  Kaspar Joachim Utz encontrou um refúgio contra as adversidades do século    XX.    E    apesar    das    restrições    sentidas    na Checoslováquia  durante  a  Guerra  Fria,  Utz  afirma  a  sua individualidade nesta devoção às preciosas peças.
Autorizado  a  sair  do  país  uma  vez  por  ano,  Utz  considera repetidamente   a   possibilidade   de   desertar.   Porém,   não podendo  levar  consigo  as  porcelanas,  refém  do  regime  e  da coleção   de   Meissen,   regressa   sempre   a   casa   –   um microcosmo  povoado  de  pequenas  e  frágeis  figuras,  que constituem para o seu proprietário um mundo mais real do que o próprio Mundo»

30/12/2010

LOUISA MAY ALCOTT

Little Women é um livro de inspiração autobiográfica de Louisa May Alcott publicado em 1868. Conta a história de quatro irmãs crescendo entre 1861 e 1865, durante a Guerra Civil Americana. Teve uma seqüência chamada "Good Wives" em 1869.

Foi transformado em filme em 1994, o qual foi dirigido por Gillian Armstrong.

Título originaL:Little Women (As Mulherzinhas)
Ano: 1994
Realizador/Director: Gillian Amstrong
Intérpretes: Winona Ryder; Susan Sarandon; Trini
Alvarado; Claire Danes; Kirsten Dunst; Samantha MathiS

26/12/2010

GEAN GENET



Que homem foi este, para além do santo e do mártir que dele quiseram fazer? Passam cem anos sobre o seu nascimento, mas talvez não tenhamos ouvido tudo o que tinha para dizer



Parece estar-nos a dizer que não esconde nada. As mãos abertas enfrentam o jornalista, que, naquele quarto de hotel em 1957, lhe perguntava, uma vez mais, quem era. "Se eu estou sozinho, posso falar a verdade. Se estou com alguém, minto. Eu sou marginal", poderia ter-lhe respondido, como disse mais tarde a um amigo escritor, Tahar Ben Jelloun.
"Com excepção dos seus livros, não sabemos mais dele do que a data da sua morte, que ele imagina próxima", disse Rainer Werner Fassbinder, o realizador alemão que adaptou "Querelle de Brest".


 "A literatura não apagou a sua vida", diz Valter Hugo Mãe, autor de "o cu de jean genet", breve poema incluído em "contabilidade poesia 1996-2010" e que começa assim: "ninguém podia acreditar que Jean Genet tivesse ganho asas líquidas, escuras como o fundo dos mares, e pairasse sobre os pensamentos menos cautelosos dos homens."

Valter Hugo Mãe diz que o autor francês não teve "a biografia ridícula e vaidosa da maior parte dos autores". "Era um escritor que não escondia nada, que lidava consigo mesmo propondo-se como vítima, mas que se perseguia, como se se quisesse magoar", acrescenta. "insatisfeito, retomava as marés às escuras asas e alava novamente, ondulando e aspergindo o chão com os olhos, sempre ávido de mais", conclui o poema. "Há um discurso incendiário e impiedoso, onde ele é vítima e predador. E, erguendo esse paradoxo, consegue chegar a várias pessoas com temáticas fortíssimas e extremamente amargas", diz ainda Valter Hugo Mãe.

Parece estar-nos a dizer que não esconde nada. As mãos abertas enfrentam o jornalista, que, naquele quarto de hotel em 1957, lhe perguntava, uma vez mais, quem era. "Se eu estou sozinho, posso falar a verdade. Se estou com alguém, minto. Eu sou marginal", poderia ter-lhe respondido, como disse mais tarde a um amigo escritor, Tahar Ben Jelloun.

"Com excepção dos seus livros, não sabemos mais dele do que a data da sua morte, que ele imagina próxima", disse Rainer Werner Fassbinder, o realizador alemão que adaptou "Querelle de Brest".

Mas Jean Genet, abandonado pela mãe num orfanato em Paris, com menos de um ano, foi uma figura maior, que não cabia nos seus próprios livros. "Mau rapaz autodidacta", Jean podia ter sido uma personagem inventada por Genet -achava, aliás, que no teatro representamo-nos sempre a nós próprios ("Uma acção teatral não deve decorrer num palco mas em mim", disse).

E porque não acreditava na biografia, "em vida não queria que se lhe perguntasse sobre a sua vida", explica Pascal Fouché, que este ano, quando se assinalam os cem anos do nascimento do escritor, publicou em livro um conjunto de cartas inéditas da mãe do autor de "Un condamné à mort", uma lavadeira que morreria aos 30 anos com gripe espanhola.

Sem família nem raízes, a ideia de pátria horrorizá-lo-á, e é ao ambiente de uma infância que nunca teve que Jean Genet, por diversas vezes, regressará. Muitas das personagens das suas histórias, como Querelle, o marinheiro homossexual, ou Maurice, o prisioneiro em "Alta Vigilância", carregam nomes de amigos seus no orfanato. Há ainda Solange, uma das criadas na peça do mesmo nome, uma vizinha por quem Genet se apaixonou quando era criança.


"Falar é roubar palavras", escreveu Sartre em "Saint Genet, comédien et martyr", o monumental texto de introdução às "Obras Completas de Genet", editadas pela Gallimard. Poeta, dramaturgo, ensaísta, prosador, Genet foi, na literatura, polissémico. Mas foi ainda realizador de um filme só, "Un chant d"amour", que vai para lá da provocação que os seus conteúdos explícitos poderiam fazer, porque trata do desejo, num sentido mais primário, mais visceral e, por isso, mais humano.

O seu teatro continua a ser representado e entre as peças mais importantes estão "As Criadas" (o ano passado vimos a encenação de Jean-Luc Bondy no Festival de Almada) ou "Os Negros"(Rogério de Carvalho apresentou-a, em 2006, no Teatro Nacional S. João).


Os seus textos proporão, permanentemente, um outro mundo, uma outra realidade, outro conjunto de valores, onde se encontra, apesar de tudo, um desejo intrínseco de salvação dos homens, anjos caídos e negros.

"Era um anti-sistema, mas não era um delinquente puro e duro. Era um homem infinitamente culto, que fez da prisão a sua vida", descreve Jaime Rocha, que salienta o lado militante da cidadania, que o levará a abraçar causas como a dos Black Panters, um movimento revolucionário afro-americano influente nos Estados Unidos nas décadas de 60 e 70, e a causa palestiniana, ainda antes da era bombista. "Ele esteve sempre do lado da vítima", reforça.

E depois há Chatila, o campo de refugiados na Palestina. Genet foi o primeiro europeu a chegar. "Quatro horas em Chatila" resume bem o envolvimento que queria viver e a destruição do modelo social que queria construir. Jaime Rocha, reinventando esse livro, coloca-o a recordar-se: "Eu vi o sangue coalhado pelas ruas estreitas, rapazes e velhos palestinianos a quem cortaram as mãos e os braços, mulheres com as ancas trespassadas por facas, crânios abertos à machadada, olhos furados, barrigas esventradas, mortos, muitos mortos espalhados pelas ruelas, queimados, desmembrados, dezenas, centenas, dois dias e três noites de matança."

Depois disto, Genet não poderia esconder mais nada. Morreu na noite de 14 para 15 de Abril de 1986 num pequeno hotel de Paris. A sua campa, discreta em Marrocos (onde viveu os últimos anos), é o último gesto político de um homem sozinho.



TOM WAITS

Hard Ground" marca a estreia do músico norte-americano Tom Waits na poesia. O livro, que se foca nos sem-abrigo, tem a colaboração do fotógrafo Michael O'Brien, que contribui com imagens.

No activo desde o início dos anos 70, Thomas Alan "Tom" Waits tem um percurso singular na música norte-americana, marcado pela sua voz rouca e presença em palco. A carreira do versátil ícone não se limita apenas à música, apesar de já ter gravado mais de 20 discos. Também trabalhou no cinema, em bandas sonoras e enquanto actor. Apesar de muitos o classificarem como tal, o cantautor de 60 anos sempre receou ser apelidado de "poeta", preferindo ser chamado de "contador de histórias", como disse numa entrevista à "NME".


"Hard Ground" vai ser publicado em Março de 2011 pela University of Texas Press, é o resultado das palavras de Waits e das imagens de O'Brien.

De acordo com a University of Texas Press, o livro "transcende o documentário e apresenta de forma independente, mas poderosa, visões complementares da vida dos sem-abrigo e da resiliência de quem vive nas ruas". O'Brien, que já tinha colaborado com Tom Waits noutras ocasiões, tem 30 anos de experiencia enquanto fotojornalista, muitos deles a trabalhar a temática dos sem-abrigo.


"Hard Ground", uma referência ao "chão duro" que os sem-abrigo habitam, é baseado num livro de 1941, chamado "Let Us Now Praise Famous Men", que juntava a poesia de James Agee à fotografia de Walker Evans. "Let Us Now Praise Famous Men" tratava da vida de agricultores durante a Grande Depressão.

Le Monde elogia Gonçalo M. Tavares

Depois de ter sido distinguido com o Prémio do Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, Gonçalo M Tavares é destacado no jornal francês "Le Monde" que traça um perfil do escritor e do seu percurso na literatura.

Começa por se referir a Gonçalo M. Tavares como um escritor pelo qual vale a pena "fazer propaganda" e que "ainda não encontrou em França o eco que merece". Mas para o jornal o prémio que M. Tavares recebeu em Novembro vai servir como rampa de lançamento. "Esta distinção foi só o princípio", destaca o "Le Monde."

O romance "Aprender a Rezar na Era da Técnica" foi o livro que valeu o prémio francês. A mesma obra já tinha sido finalista de outros dois prémios de prestígio, o Femina e o Médicis. É o sétimo livro do escritor editado em França.

Ao PÚBLICO, no dia 21 de Novembro, pouco depois de terminar a cerimónia em que recebeu o Prémio, Gonçalo M Tavares disse ser uma "grande honra" ter o nome "numa lista de vencedores que inclui grandes nomes da literatura e livros míticos". Da lista de premiados, constam nomes e obras que marcaram a história da literatura, como "O Homem sem Qualidades" (1958), de Robert Musil, "Cem Anos de Solidão" (1969), de Gabriel García Marquez, ou "Auto-da-fé" (1949), de Elias Canetti. António Lobo Antunes era, até agora, o único português distinguido.

PATTI SMITH

A rainha do punk foi distinguida com o National Book Award na área de não-ficção com "Just Kids",

"Sempre sonhei escrever um livro", disse Patti Smith na entrega de um prémio de literatura: a rainha do punk foi distinguida com o National Book Award na área de não-ficção com "Just Kids", a história da sua relação de amizade com o artista Robert Mapplethorpe e um retrato da vida boémia em Nova Iorque nos anos 60 e 70.

A cantora, poeta e compositora, que se emocionou na entrega do prémio, relembrou os tempos em que ainda não era conhecida e que, para ganhar dinheiro, trabalhou em livrarias. "Quando trabalhava na [livraria] Scribner, costumava pensar em como seria receber um National Book Award", disse Patti Smith, 63 anos. "Obrigado por me terem deixado descobrir".

13/10/2010

JAMES ELLROY

James Ellroy transporta-nos para o ambiente corrupto e violento do submundo do crime de final dos anos 50.
Neste livro, que encerra a tetralogia "L.A. Quartet", a máfia local, o FBI, o Departamento da Polícia de Los Angeles e os jornalistas agem como joguetes ao sabor dos interesses de alguns políticos influentes, numa cidade onde a ética dos que se posicionam do lado da Lei se confunde com a dos criminosos.

"White Jazz - Noites Brancas", considerada uma das melhores obras de Ellroy, originalmente publicada em 1992, explora os meandros sujos de uma investigação que coloca em confronto o polícia mais vendido de Los Angeles e o chefe do departamento. No centro do embate, encontra-se o tenente Dave Klein, com um percurso duvidoso, destacado para investigar um assalto ligado ao narcotráfico e ao crime organizado que se esconde nas casas de apostas clandestinas de pugilismo. De clube em clube de jazz, de noite em noite, a história segue os passos de Dave Klein e das personagens que habitam o universo dos romances negros de Ellroy.

08/10/2010

GAIL COLLINS

Gail Collins, a actual colunista do "The New York Times", foi a primeira mulher a estar no cargo de editora das páginas editoriais daquele jornal (de 2001 a 2007). Este dado da sua biografia só vem provar a actualidade do livro que lança em Outubro, "When Everything Changed - The Amazing Journey of American Women from 1960 to the Present" (Little, Brown).

Na Book Expo America Gail Collins lembrou que em 1960 as norte-americanas tinham que pedir permissão aos maridos para se candidatarem a um cartão de crédito. O seu livro fala das mudanças que aconteceram nas últimas décadas em relação aos direitos das mulheres. Não é a primeira vez que Gail se dedica a este assunto. O seu livro anterior, "America's Women: Four Hundred Years of Dolls, Drudges, Helpmates and Heroines", foi um best-seller em 2003. Na conferência que deu na BEA explicou que tudo começou quando lhe pediram, no seu jornal, um artigo sobre as mulheres na mudança do milénio. Leu vários livros e percebeu que não havia muita coisa relacionada com as mulheres. Compreendeu que a atitude histórica de olhar para as mulheres como seres menos inteligentes e mais fracos vinha desde o início da civilização e decidiu que era sobre isto que queria escrever. Quando começou a investigação percebeu que tinha um profundo desconhecimento sobre a forma como algumas coisas tinham acontecido. E percebeu, também, que no espaço de poucas décadas tudo mudou.

A sua investigação mistura política, moda, cultura popular, economia, sexo, famílias, trabalho. Entrevistou centenas de mulheres. Este livro é uma sequela, porque quando estava a escrever "America's Women" já ia em 1960, a dois capítulos do fim, e ainda tinha muito para contar. "When Everything Changed" termina no ano de 2008, quando Hillary Clinton foi candidata às eleições presidenciais norte-americanas. E como é estranho ler a determinada altura que a revista "Newsweek" escreveu que as mulheres não podiam ser escritoras...

RUBEM FONSECA

O escritor brasileiro, Prémio Camões em 2003, está de volta ao romance. O Seminarista, chega às livrarias portuguesas, e mostra como a sua pontaria continua afinada. E a reforma, aos 85 anos, bem longe do horizonte.

Desde os primeiros livros de contos, publicados na década de 1960, é através do trabalho subtil com o ponto de vista que Rubem Fonseca surpreende, embora a sua obra gire obsessivamente em torno do mesmo tema, desdobrado em múltiplas faces: o da verdade como ilusão retórica. Não é por acaso que um dos personagens recorrentes no universo ficcional do autor seja Mandrake, ilusionista da palavra, assim como o outro Mandrake, o das histórias em quadradinhos, é um mestre da prestidigitação, um ilusionista do olhar.

Foi com estrondo que Rubem Fonseca regressou ao romance, com O Seminarista, lançado no Brasil em 2009. Habituados à discrição do escritor, que raramente aparece em público e não concede entrevistas, jornalistas, críticos e leitores brasileiros não deixaram de se surpreender com um aparente renascimento. Durante alguns meses, Rubem Fonseca deu que falar. Mudou de editora, quebrando uma relação de mais de 20 anos com a Companhia das Letras. Na Agir, do grupo Ediouro, de par com este inédito, publicou dois livros antigos, iniciando a re-edição das suas obras. Além disso, não se coibiu de participar ativamente na promoção de O Seminarista. Com a ajuda do filho, José Fonseca, criou um vídeo no qual lê um excerto do primeiro capítulo. Na imprensa, publicou um texto sobre as vantagens dos e-books, já que os seus livros passaram a estar disponíveis nesse formato. Foi um regresso à matador, com o carregador bem cheio e o dedo colado ao gatilho. De tal forma que alguns disparos chegaram a Portugal, onde a sua obra também está em foco a partir desta rentrée. Com O Seminarista, a Sextante dá início à publicação regular dos romances e contos de Rubem Fonseca, que prosseguirá, em Fevereiro de 2011, com Bufo & Spallanzani (de 1986).

"Sou conhecido como o Especialista, contratado para serviços específicos. O Despachante diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço. Antes de entrar no que interessa - Kirsten, Ziff, D.S., Sangue de Boi - eu vou contar como foram alguns dos meus serviços". Lemos o primeiro parágrafo e reconhecemos automaticamente o seu autor.

A obsessão temática de Rubem Fonseca, faz-nos voltar sempre ao local do crime, duvidando das nossas cómodas certezas, traz à lembrança um outro escritor — Machado de Assis — que, segundo Antonio Candido, passou a vida inteira, ilustrando uma única pergunta. Por sinal, a mesma que atravessa toda a ficção do autor de “O seminarista”: “Se a fantasia funciona como realidade; se não conseguimos agir senão mutilando o nosso eu; se o que há de mais profundo em nós é no fim de contas a opinião dos outros; se estamos condenados a não atingir o que nos parece realmente valioso, qual a diferença entre o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado?”

BRET EASTON ELLIS

Como forma de promoção de Imperial Bedrooms, de Bret Easton Ellis, a Picador lançou uma aplicação tão polémica como os livros do escritor. A ideia é conhecer o diabo que mora em nós. Para isso temos à nossa mercê uma candidata a actriz


"Eu não gosto de ninguém, e tenho medo das pessoas", é assim que Bret Easton Ellis termina o seu último livro, Imperial Bedrooms. E, no início, diz: "Fizeram um filme sobre nós". Recuperando, de forma brilhante, as personagens de Menos que Zero, o livro que o tornou um dos escritores mais marcantes da sua geração. Por isso este é um dos mais esperados livros da literatura americana contemporânea e uma aposta fortíssima da editora.

Bret Easton Ellis tornou-se famoso pelo seu hiper-realismo cru, que expôs a nu a edificada vida universitária dos jovens americanos. Agora as personagens crescem, tornam-se importantes, mas não melhoram. A sua deformação psicológica torna-as dementes. Atenção porque a crueza das personagens de Easton Ellis vai muito além de um retrato de uma sociedade perversa em crise de valores, como nós gostamos de ver a América. São seres infra-humanos, reveladoras de uma apatia assustadora, a ausência total de sentimentos, que nem sequer condiz com os padrões psicóticos das sociedades desenraizadas. O que Easton Ellis violentamente sugere é que há um potencial serial killer em cada um de nós, não de forma tão evidente como em Psicopata Americano, mas de modo mais subtil e menos estereotipado.

Também por isso é brilhante o gancho promocional que a editora fez on-line . Promoveu uma míni-aplicação em que nos coloca no papel de um produtor que está a fazer um casting para o papel feminino no filme. Temos o poder e vale tudo. Podemos embebedar, drogar, despir, fazer dançar e até ter relações sexuais com a candidata. Ela sujeita-se às mais vis humilhações em nome de um sonho de fama. Mas, na verdade, nós é que somos encostados à parede, encurralados pelos nossos demónios. No final, aparece um quadro com a percentagem de diabo que nos corresponde. Mas a perversão, a venda da alma, começa antes, quando decidimos ir a jogo.

03/10/2010

LUIS SEPÚLVEDA


História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar - a Amizade, e pela simplicidade e inteligência.Na adolescência basta-nos nós próprios para acreditarmos que somos capazes de voar. Agora é diferente!

17/09/2010

DAVID LA CHAPELLE

A Taschen vai publicar em Portugal Heaven to Hell, um álbum de fotografia do controverso David LaChapelle, com fotografias de Björk, Pamela Anderson e Angelina Jolie

16/08/2010

LUIS BUNUEL - Meu último suspiro

Meu último suspiro (1982) narra as relações entre vida e obra do espanhol Luis Buñuel (1900-1983), director de obras-primas como Veridiana (1961, com o qual conquistou a Palma de Ouro em Cannes) e O discreto charme da burguesia (1972).

Com a ajuda do roteirista Jean-Claude Carrière, que deu forma ao texto, Buñuel relembra – muitas vezes com altas doses de humor – detalhes de suas produções, a começar por Um cão andaluz (1928), primeiro filme surrealista, feito em parceria com Salvador Dalí, passando por Os esquecidos (1950) e Nazarin (1958), rodados no largo período em que viveu no México. Em outro capítulo, trata da guerra civil espanhola (1936-1939), no qual fala de sua simpatia pelas ideias comunistas.

Dono de uma personalidade forte e complexa, boémio e apaixonado por boxe e pelos prazeres da vida, Buñuel revela sem pudores passagens polémicas, como o afastamento do amigo Garcia Lorca e as brigas – incluindo um quase enforcamento – com Gala, mulher de Dalí.

Editado no Brasil em Outubro/2009, tem nova tradução, de André Telles, e, além da selecção de imagens feitas pessoalmente por Buñuel durante as conversas com Carrière, traz também fotos do seu acervo pessoal, cedidas pelo seu filho Juan Luis.

13/08/2010

DAVID TOOP

A música é difícil de capturar em palavras, mas o som de todas as variedades a partir do industrial, noise, pastoral o quase-silêncio, é ainda mais assustador. Um novo livro de um dos mais influentes, eruditos, intelectuais, pensadores e escritores sobre o som e a música. O músico Inglês, curador, e compositor David Toop regularmente leva-a para a página de qualquer maneira, a partir de 1996 Ocean Of Sound, um marco no estudo da música ambiente, do excelente Exotica: Fabricated Soundscapes In A Real World, 1999, não esqueçendo em 2004, Haunted Weather.

O músico compositor experimental já trabalhou com músicos que vão desde a Brian Eno, a Prince Far I, David Toop é um autor altamente considerado crítico de música desde 1995, lançou três álbuns solo, cinco compilações(incluindo a banda sonora de Ocean of Sound), curador da exposição de arte sonora na Hayward Gallery - 'Sonic Boom'.

O seu jornalismo musical aparece na The Wire, Village Voice, The Times e The Face, Arena, Mojo, e na sua própria revista no início dos anos 80,COLLUSION .

O último foca os efeitos da tecnologia em som, música e, não incidentalmente, a condição ou qualidade de ser humano. Para submeter à autoridade da disciplina é impregnada de ar perfumado, mas a sua prosa e as preocupações continuam, assim como os seus livros são menos narrativos do que discursivos, saltando de um assunto para outro como a mistura ecléctica de um DJ.

Sinister Resonance: The Mediumship Of The Listeneré um livro ambicioso: a exploração do som em romances, poemas e pinturas antes da era da reprodução do som. Isso pode parecer arriscado, como uma ode alargado a sinestesia. Toop não traduz em obras de silenciar o som pela cor ou linha verbal, usa os ambientes fonéticos das próprias obras, pulando para examinar tanto os objectos de estudo e da natureza da relação da humanidade com o próprio som.

Não é apenas o som, ou: "O silêncio pode ocupar o espaço como saltear da areia fina e branca em movimento subtil, uma cadeira desocupada numa sala vazia, um carro abandonado, farinha peneirada caindo sobre uma tábua de cortar, o arrefecimento da água fervida," escreve Toop, e um comentário inteligente sobre a famosa frase de Roland Barthes "o grão da voz" unindo um som ruidoso, com as palavras de Melville, na descrição de Ahab, que persegue Moby Dick, ouvindo a baleia soando: " Para o som é mergulhar no abismo negro.

Uma das leituras mais esclarecedoras de Toop é do pintor holandês Nicolaes Maes, que criou uma série de pinturas de espionagem:" “With scientific detachment, they experiment with the possibility and impossibility of bringing sound into life through a mute medium; with humanistic engagement they locate the significance of sound and silence within human events, specific places and the world of objects.”

Sinister Resonance começa com a premissa de que o som é uma assombração, um fantasma, uma presença cuja localização é ambígua e cuja existência é transitória. A intangibilidade do som é fantástico - uma presença fenomenal na cabeça, no seu ponto de origem e de todos os lados - The close listener is like a medium who draws out substance from that which is not entirely there.

A história da escuta deve ser construída a partir da narrativa do mito e da ficção, "silenciosa" das artes como a pintura, a ressonância da arquitectura, artefactos auditivos e da natureza.

Sinister Resonance é como se estivesse lendo um mapa de território até então inexplorado, decifra sons e silêncios enterrado dentro dos horrores fantasmagóricos de Arthur Machen, Shirley Jackson, Charles Dickens, M.R. James, e Edgar Allen Poe, da pintura holandesa de Rembrandt a Vermeer, artistas tão diversos como Francis Bacon e Juan Munoz, e a escrita de muitos autores modernistas, incluindo Virginia Woolf, Samuel Beckett e James Joyce.

26/07/2010

SYLVIA PLATH

Sylvia Plath nasceu em Boston, EUA, em 1932. Teve uma passagem melancólica por Nova York, tentou o suicídio por mais de uma vez, casou em 1956 com o poeta inglês Ted Hughes, foi com ele para Cambridge, Inglaterra. Teve dois filhos. Divorciou-se em 1962, escreveu os seus poemas capitais, publicados postumamente no volume Ariel (1965), a sua obra mais importante. Dois anos antes, em 1960, lançara o seu primeiro livro, Colossus.

Em 11 de Fevereiro de 1963, Sylvia Plath aos 30 anos de idade cometia suicídio inspirando gás na cozinha de sua residência.


Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,
sois inofensivas?

Estremeceis. Não posso tocar-vos.
Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada queima.

E fico exausta quando vos vejo
estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da boca.

Uma boca há pouco ensanguentada.
Pequenas orlas de sangue!

Há nela um fumo que não consigo tocar.
Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?

Se eu pudesse esvair-me em sangue e dormir!...
Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!

Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de vidro,
Trazendo-me a acalmia e o silêncio.

Mas sem cor. Sem nenhuma cor.

(Sylvia Plath, tradução de Maria de Lourdes Guimarães)

SHERLOCK HOLMES

O médico e escritor britânico Sir Arthur Conan (Sherlock Holmes), aparece pela primeira vez no romance, A Study in Scarlet, editado e publicado originalmente pela revista Beeton's Christmas Annual, em Novembro de 1887