16/05/2010

As exigências dos artistas do Rock In Rio

O Correio da Manhã avança hoje algumas das exigências dos artistas que vão estar no Rock In Rio.

Elton John pediu à organização camarins alcatifados à temperatura de 19 de graus, sofás com um mínimo de dois metros de comprimento, toalhas de linho nas mesas e 40 quilos de gelo. Para acomodar a roupa, exigiu ainda dois charriots com 1,80 de comprimento cada e um camarim que deve ter espaço para dez malas gigantes.

Mais modesta, Ivete Sangalo tem no champanhe, no sushi e nos arranjos florais do camarim as extravagâncias. No catering haverá frango assado, cem brigadeiros e uma bandeja com 60 salgados.

Quanto a Leona Lewis, pediu um menu completamente diferente. A carne e o peixe estão proibidos pelo que toda a alimentação é de origem vegetal; para acompanhar haverá vinho tinto da Nova Zelândia.

Os 2 Many DJs requisitaram chá verde, um camarim decorado com velas e uma tábua de engomar. O estreante John Mayer ficou-se pelas 70 toalhas.

O regresso de Vinicius Cantuária

Amanhã, no São Luiz, o músico brasileiro partilha o palco com o pianista português Mário Laginha.

Quando o músico brasileiro Vinicius Cantuária conheceu o pianista português Mário Laginha, há cerca de dois anos, a cumplicidade foi imediata: "Eu já o conhecia dos discos, já era admirador do trabalho dele", conta o brasileiro. "Mas, aí, conversámos e decidimos que tínhamos de fazer qualquer coisa juntos. Só que as nossas agendas estavam muito complicadas. Quando eu soube que vinha fazer um concerto a solo em Portugal, mandei um e-mail desafiando-o e ele respondeu dizendo que também estaria por cá. Ficou combinado." O encontro irá acontecer, finalmente, amanhã à noite, no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Vinicius Cantuária inicia em Portugal uma breve digressão europeia para apresentar o seu mais recente disco, Samba Carioca. Entre as cerca de 20 músicas que constam no alinhamento, meia dúzia irá ser partilhada com Laginha. "Vamos tocar temas meus e dois clássicos de Tom Jobim, porque eu queria muito saber como é que o piano português iria ficar na bossa nova." O contrário também vai acontecer e Vinicius Cantuária vai cantar Lua Partida ao Meio, tema que Laginha fez com Maria João, que na versão original imitava o sotaque brasileiro para cantar "se eu fosse muito guloso, comia essa lua em forma de queijo".

Vinicius Cantuária e Mário Laginha iam ensaiar juntos pela primeira vez ontem, ao final da tarde, mas o brasileiro não escondia o seu entusiasmo: "Este encontro surge num momento em que eu estou a dar muita atenção ao piano." Samba Carioca foi gravado entre o Brasil e os EUA e contou com cúmplices como Marcos Valle, João Donato (pianistas brasileiros), Brad Mehldau (pianista americano com quem Cantuária já tinha trabalhado) e o guitarrista Bill Frisel (guitarrista). "Este disco vai pegar uma ideia antiga, dos trios de piano, baixo e bateria que, nos anos 70, interpretavam em bares standards de jazz", explica o músico. Neste concerto, onde para além de Laginha não haverá mais músicos, Vinicius Cantuária trará voz e violão, mas promete surpreender a audiência com umas "experiências" com "um loop de percussão gravado na hora".

Mas as "experiências" portuguesas não se ficam por aqui. Ainda este mês, Vinicius Cantuária vai tocar no Barbican Center, em Londres, num concerto cuja primeira parte será assegurada por Rodrigo Leão e pelo seu Cinema Ensemble: "É a primeira vez que o vou ver. Conheço a sua música principalmente pelos Madredeus. Mas aqui abre- -se mais uma janela e quem sabe futuras colaborações."

"Experiências" não faltam na carreira de Vinicius Cantuária. Formou a primeira banda com 12 anos. Nos anos 70, foi baterista dos grupos O Terço e A Banda Atómica, exemplos do rock progressista brasileiro. Nos anos 80, começou a cruzar-se e a tocar com nomes como Luiz Melodia, Gilberto Gil e Caetano Veloso - foi precisamente num disco de Caetano, Outras Palavras, que deu nas vistas como compositor, com o tema Lua e Estrela. Em 1982, o primeiro disco em nome próprio, intitulado precisamente Vinicius Cantuária, incluía o sucesso Coisa Linda e abriu caminho a uma série de concertos e discos em que Vinicius mostrou os seus dotes não só como compositor mas também como cantor. Nos anos 90, mudou-se para Nova Iorque para, como explicou, "fazer música tradicional do Brasil, no sentido das harmonias e dos ritmos, procurando abri-la à contemporaneidade". Tucumã (1999), Horse and Fish (2004) ou Cymbals (2007) são alguns dos discos mais famosos desta fase da sua carreira - até hoje, ele assume-se como um brasileiro em viagem.

Eu sou um admirador da obra de Vinicius Cantuaria, um dos grandes concertos que assisti ao vivo ( e já vi mais de 200) foi o que ocorreu numa noite de chuva no Palácio de Cristal no Porto - está guardado para memoria futura

FERNANDO BOTERO - e a dor da Colombia

Colombian painter Fernando Botero gestures front of his new paintings depicting the horrors of U.S. guards' abuse of captives at Iraq's Abu Ghraib prison, Monday April 11, 2005 in Paris, France.

Guadalajara, inauguração da mostra "Fernando Botero. El Dolor de Colombia''. A exposição, que reúne 77 obras assinadas por Botero, e está integrada no Festival Cultural de Maio, que decorre anualmente naquela cidade mexicana.

The Wire 20 Years 1982-2002: Audio Issue

The Wire 20 Years 1982-2002:
Various Artists - Series: The Wire , 2002 - Label: Mute Records

1.1 Steve Lacy - The Wire
1.2 Ennio Morricone (with Gruppo d'Improvvisazione Nuova Consonanza) Seguita
1.3 Coil - Wrong Eye
1.4 Hands To - Egress (excerpt)
1.5 David Toop & Max Eastley - Buried Dreams
1.6 Vivian Jackson & King Tubby - Tubby's Vengeance
1.7 Fennesz - Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder)
1.8 Derek Bailey - M 5
1.9 Traditional Musicians, Bali - Cockfight - Trance in Paksabali and Kesiman - Gamelan Beleganjur
1.10 Einstürzende Neubauten - Pygmäen
1.11 AMM - After Rapidly Circling the Plaza (excerpt)
1.12 Mars - 11,000 Volts
1.13 Cabaret Voltaire - Breathe Deep
1.14 Tony Conrad with Faust - The Death of the Composer Was in 1962
1.15 Designer - Vandal
1.16 Torture - Soaking Bodies in Dub
1.17 Fela Kuti - Shenshema
2.1 The Art Ensemble of Chicago - Illistrum
2.2 Sonic Youth - Expressway to Yr Skull
2.3 Spring Heel Jack/The Blue Series Continuum - Salt
2.4 This Heat - Paper Hats 5:58
2.5 Stereolab & Nurse With Wound - Simple Headphone Mind
2.6 Jac Berrocal - Rock 'n' Roll Station
2.7 Sun Ra & His Solar-Myth Arkestra - Ancient Ethiopia
2.8 Christian Marclay - Jukebox Capriccio
2.9 John Cage - Williams Mix
2.10 Yoshihide Otomo - Cathode #4: Soundcheck Version
2.11 Björk - Headphones
2.12 Pauline Oliveros - I (excerpt)
3.1 Keith Hudson - Satan Side
3.2 Terry Riley - Music for 'The Gift' Part 1
3.3 William S. Burroughs (with Ian Sommerville)-Silver Smoke of Dreams
3.4 Suicide - Rocket USA
3.5 Supersilent - 4.2
3.6 Pan Sonic - Vaihe (Fön)
3.7 Deutsch-Amerikanische Freundschaft - Kebabträume
3.8 Larry Young - Khalid of Space Part 2 - Welcome
3.9 David Behrman (with Gordon Mumma) - Players With Circuits
3.10 不失者 - The Caution Appears Part 5
3.11 John Coltrane (with Alice Coltrane) - Living Space
3.12 John Fahey - Some Summer Day
3.13 Diamanda Galás - 25 Minutes to Go

15/05/2010

CAMERON CROWE

Surgiram rumores de que o director Cameron Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire) estava interessado em dirigir uma adaptação do livro de memórias bestselling Benjamin Mee, We Bought a Zoo.

ISRAEL + PALESTINA

RAUL TABORDA DAMONTE - COPI

Raul Taborda Damonte, conhecido como Copi, nasceu na Argentina em 1940 e tornou-se uma figura controversa na França, nunca escondendo sua condição de exilado, homossexual e portador do vírus HIV. Escreveu a sua primeira peça em Buenos Aires, em 1962 (Un angel para la señora Lisca), mas foi em Paris que produziu o essencial de sua obra.

Copi, morreu com Sida em 1987. "O frigorífico" é um dos emblemáticos monólogos que Copi chegou a representar, em 1983, o Teatro Plástico estreia na Fundação Escultor José Rodrigues, no Porto, em 2008.

"A produção artística de Copi dá-nos conta de uma série de tensões entre a arte e o género, entre a cultura de massas e a cultura popular e entre linguagem e estética, pelo que a sua obra resiste a classificações", escreveu a ensaísta Laura Vázquez, no ano passado, no Boletín de Estética do Centro de Investigaciones Filosóficas de Buenos Aires

Ainda assim, será fácil identificar Copi como pioneiro da arte "queer", numa época em que o termo inglês "queer" ("maricas" ou "esquisito") era ainda insultuoso e não tinha ganhado a carga contra-ideológica que o faz hoje designar identidades sexuais não normativas, pessoas que se recusam a ser categorizadas e escolhem situar-se nas fronteiras dos géneros e das sexualidades. "Uma das razões da grandeza de Copi, e do desdém com que, até agora, a sua obra tem sido tratada entre nós [argentinos], tem seguramente a ver com a violência com que irrompe na cena mundial para propor uma ética e uma estética trans: transexual, pós-nacional, pós-linguística", explicava o crítico literário Daniel Link, em 2008, no blogue "Linkillo (Cosas Mías)".

Essa perspectiva é confirmada pelo actor e encenador Luís Castro, do grupo Karnart, que associa o cunho "queer" da produção de Copi ao movimento de contra-cultura dos anos 60 e 70. "Interessa-me o lado de intervenção social que as suas peças carregam e as personagens consistentes que proporciona aos actores", diz. Castro traduziu "O Homossexual Ou a Dificuldade em Exprimir-se" e levou-a a cena em 2005 e 2007; em 2008, montou, também em Lisboa, "A Torre de La Défense", em 2008. Que sensação lhe deixaram esses textos? "A sensação de ter partilhado com um autor interventivo preocupações éticas de enorme importância e de ter projectado no público verdades, mesmo se ambíguas e metafóricas, carregadas de enorme plasticidade e dotadas de uma estética fortíssima."

Quase 23 anos depois da morte, Copi reaparece em Portugal e Espanha, em sucessivas reedições. Há mais livros previstos para 2011. Afinal, o pioneiro da arte "queer" não morreu para sempre

Chamar-lhe o quê? Dramaturgo, actor, romancista, cartoonista? Encaixá-lo onde? Contra-cultura dos anos 70, boémia intelectual de Paris, arte engajada, estética "queer"? Em rigor, tudo vale para Copi, pseudónimo de Raúl Damonte Botana, nascido em Buenos Aires em 1939, exilado em Paris a partir de 1962, vítima da sida em 1987. "Tão poderoso, tão magnífico, tão trágico, tão desgarrado, tão tremendo, a desmesura", escreveu sobre ele o jornalista argentino José Tcherkaski. Agora que as suas obras começam a ser reeditadas em Portugal e em Espanha, é como se houvesse uma nova oportunidade para descobrir um criador incontornável da segunda metade do século XX. Um criador que, por ter querido circular nas margens, e por aí se ter forjado, conseguiu ser reconhecido pelas elites intelectuais mas nunca se tornou um nome familiar para o grande público.

Não é uma febre editorial, mas para lá caminha. Em Portugal, foram publicadas em Janeiro cinco das suas peças, em duas edições distintas: "Uma Visita Inoportuna", pela Livros de Areia, e "O Homossexual ou a Dificuldade em Exprimir-se e Outros Textos", na colecção Livrinhos de Teatro. Em 2011, ou 2012, deverão sair, nesta mesma colecção, mais três peças: "As Quatro Gémeas", "Uma Visita Inoportuna" (em tradução alternativa à da Livros de Areia) e "A Noite de Dona Luciana". Do lado de lá da fronteira, dois romances e dois contos, um dos quais estava inédito, acabam de ser compilados pela Anagrama, de Barcelona: "Obras (Tomo I)" junta "El Uruguayo", "La Vida Es Un Tango", "La Internacional Argentina" e "Río de La Plata". O segundo tomo está pensado para 2011, informa a editora, e incluirá os textos "El Baile de Las Locas", "Las Viejas Travestís" e "Virginia Woolf Ataca de Nuevo".

in Público

MATTHEW HERBERT

Na minha humilde opinião, Matthew Herbert é um dos melhores e dos mais reconhecidos músicos, compositores, e produtores no domínio da música electrónica e dança, actual. Não esquecendo James Murphy, aka LCD Sound System.

A sua filiação com a música começou na tenra idade de quatro anos, quando começou a aprender violino e piano. Aos sete anos tocava em orquestras, e aos 16 começou a excursionar pela Europa com várias orquestras. O pai um engenheiro de som da BBC, Herbert simultaneamente envolveu-se na relação entre a electrónica e música, promovido por uma professora que conheceu na escola.

Matthew Herbert não faz a coisa por menos: vai lançar três álbuns em 2010. O primeiro, "One One".

Matthew Herbert também é conhecido por outros projectos pessoais, tais como, Doctor Rockit, Wishmountain, Radio Boy, e Matthew Herbert Big Band "encaro os meus discos como pequenos diários de um momento particular da vida posta em relação com a experiência do mundo". Foi em "Around The House" (1998), centrava-se nos sons domésticos. Em "Bodily Functions" (2001 - o único que eu tenho), nos sons do corpo humano. Em "Goodbye Swingtime" (2003), na época de ouro das "big bands" do jazz. Em "Plat Du Jour" (2005), na produção alimentar.

Em 2010, v "One One", que acaba de ser lançado, uma das novidades reside no facto de ter prescindido de ter vocalistas convidados- praticamente sozinho, toca e vocaliza todas as canções. Em Junho haverá "One Club", registado durante uma noite, no clube Robert Johnson, em Frankfurt, Alemanha. E, em Setembro, sairá "One Pig", captando o ciclo de vida de um porco ou, como ele diz, do animal que é mais abusado pelos homens.

Numa entrevista perguntam-lhe: escolheu como meio de expressão preferencial a música de dança que é - mesmo se erradamente - encarada como sendo puramente hedonista. Nela, a palavra, muitas vezes, tem apenas uma função performativa, não conta uma história, não produz narrativa.

Mas nem sempre foi assim. No início, a música de dança vinha do meio "gay" negro. Tinha um propósito político, mesmo que não fosse explícito. O mesmo aconteceu com o acid-house, nos anos 80. E quando comecei, nos anos 90. A música house constituía a aventura, o risco, a possibilidade de pôr em causa o que vinha de trás, em particular o corporativismo da cultura rock. Agora ouve-se, na rádio, música de dança, ou de qualquer outro tipo, e o panorama é desolador. É como se estivesse dissociada da experiência. É egoísta, nesse sentido, diz Herbert

Faz álbuns a partir de uma ideia particular. No seu caso, a música tem de estar sempre ligada a uma experiência?

Não diria tanto. Diria que não consigo fazer música sem pensar no que é que isso significa. Apenas isso. Por norma dizem que faço álbuns conceptuais. Não me chateia que o digam, mas é interessante porque ninguém diz que um filme que conta uma história ou um livro que tem uma determinada narrativa é conceptual. São apenas um filme e um livro. Os meus discos têm histórias lá dentro, têm um propósito, mas são apenas isso, discos.

Stephen Malkmus e Beck juntos em estúdio

Ainda não se sabe muito sobre a colaboração, mas, de acordo com a "Mojo", Stephen Malkmus e Beck os dois músicos e amigos de longa data, já estiveram juntos no início deste ano, quando Beck foi a estúdio gravar com Malkmus e a sua banda, The Jicks. O que fizeram não se sabe, mas a revista inglesa avança que Beck terá trabalhado como produtor. Os dois últimos álbuns dos The Jicks foram produzidos pelo próprio Malkmus.

Devido aos compromissos de Malkmus com os regressados Pavement, a sua banda desaparecida em 1999, as gravações poderão ser editadas apenas no próximo ano, como confirmou a Matador, a editora de Malkmus.

Enquanto isso, os Pavement, banda de culto dos anos 1990, continuam a digressão de regresso, com concertos agendados até ao final do ano. Depois dos compromissos com os Pavement, Malkmus regressará à sua carreira a solo.

O GÉNIAL ÚNICO MAURICE BEJART

Maurice Béjart morreu a 22 de Novembro de 2007, aos 80 anos. "Le Presbytère n'a Rien Perdu de Son Charme Ni le Jardin de Son Éclat", o espectáculo que ontem chegou ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, foi criado dez anos antes e corresponde a um período criativo do coreógrafo que muitos consideram irrelevante e, de soslaio, relegam para a segunda linha da obra do coreógrafo nascido em Marselha, França, que foi para a Bélgica fundar uma companhia de dança revolucionária, a Mudra, onde estudaram, por exemplo, Anne Teresa de Keersmaeker e Maguy Marin.

Béjart é um nome fundamental para compreender aquilo a que hoje chamamos dança contemporânea. Filho de um filósofo, trouxe para a dança uma compreensão do corpo menos presa a uma ideia de beleza etérea, mais consciente da dimensão simbólica do movimento, e mais atenta também ao contexto social e político .

Depois de uma surpreendente estreia, em 1953, com "Symphonie Pour Un Homme Seul", em que um Béjart ao mesmo tempo coreógrafo e intérprete se violentava face às falsidades da dança neo-clássica, partiu para uma pesquisa que sobrepôs o pessoal ao movimento. Em 1959, em resposta a um convite da Théâtre Royal de La Monnaie, de Bruxelas, criou uma "Sagração da Primavera" que tinha dois "sacrificados", um homem e uma mulher, assumindo um movimento indiferente ao género; dois anos depois, criou um "Bolero" para Jorge Donn, seu companheiro, o corpo que de tanto dançar as coreografias de Béjart se tornou a imagem mais forte da dança béjartiana. Daí até 2007, houve de tudo. "Em Maurice há todo o tipo de espectáculos. Havia peças íntimas, criadas para a "pera de Paris, em que a pesquisa era muito mais precisa, e outras mais amplas, mas nem por isso menos pessoais", conta-nos, via telefone, Gil Roman, último companheiro de Maurice Béjart e actual director artístico do Béjart Ballet Lausanne.

De tudo, incluindo uma forte dimensão política. Maurice Béjart foi o primeiro coreógrafo a subir, em 1966, à Cour d'Honneur do Palácio dos Papas, centro nevrálgico do Festival de Avignon, para apresentar a peça "Romeu e Julieta", inspirada no slogan contracultural "Make love, not war". Foi essa peça que, dois anos depois, trouxe a Lisboa, numa noite em que ousou desafiar o regime de Salazar. Tendo a companhia atrás de si, subiu ao palco para anunciar o assassinato do candidato presidencial norte-americano Robert Kennedy e fazer um discurso contra a ditadura e a situação nas colónias. A PIDE ficou incomodada com o minuto de silêncio que Béjart pediu ao público. Às três da manhã forçou a companhia a sair do Hotel Borges, no Chiado, e escoltou-a até à fronteira espanhola.

A história vem contada num texto de José Medeiros Ferreira, incluído no livro comemorativo dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, patrocinadora do espectáculo. Depois da revolução, ainda em 1974, Béjart regressou ao Coliseu dos Recreios para apresentar a mesma peça e, em 1998, Jorge Sampaio condecorou-o com a Grande Ordem do Infante D. Henrique.

A vida, não a sida

No caso de Béjart, quando falamos de uma dança espectacular falamos sobretudo da sua capacidade para produzir imagens: "As peças dele vão para muitos lados. Nunca foi importante fechá-las num só sentido e tentar perceber se era uma pesquisa sobre o corpo ou sobre o palco", diz Roman. "Le Presbytère..." corresponde a um período em que Béjart, depois de abraçar a espiritualidade oriental, começou a trabalhar uma ideia de espectáculo mais sensorial, menos agressiva. Não será, por isso, ocasional, que a escolha de Béjart para a construção visual da peça tenha recaído, uma vez mais, no costureiro Gianni Versace. Queria recordar os vários amigos que havia perdido para a sida e, muito em particular, o seu companheiro Jorge Donn.

"Le Presbytère..." é, portanto, reacção a esses tempos terríveis em que toda uma geração perdeu a inocência, um pacto em nome da sobrevivência emocional. "Versace e Béjart tinham uma relação de cumplicidade e amizade muito profunda. A criação desta peça tocou-lhes particularmente. Gianni, como sempre, fazia vários esboços, e Maurice queria uma coisa muito mais simples. Trabalharam com esse objectivo. Maurice não queria que um ballet que falava da sida fosse triste; queria que se sustentasse na energia e que fosse, ao mesmo tempo, simples. Era importante que os figurinos não ocupassem todo o espaço, de modo a que o bailarino pudesse sentir-se livre para dançar", explica Roman.

Além de responder a esses figurinos, a coreografia de Béjart responde também a uma narrativa muito influenciada pela linguagem dos videoclips e, em particular, pela extravagância resistente dos Queen, cujo líder, Freddie Mercury, viria, também ele, a morrer vítima de sida em 1991. Tanto os Queen como Elton John estiveram, de resto, em palco na estreia do espectáculo em Paris, no Théâtre National de Chaillot, a 17 de Janeiro de 1997. Os videoclips, sim, mas "não só isso", alerta Gil Roman: "Béjart estava muito interessado no cinema, sempre esteve. Este espectáculo foi tratado como uma montagem cinematográfica". Continua: "É um ballet sobre o nascimento e a morte, a renascença em permanência. Não é um ballet sobre a sida, mas sobre os que morreram. Ele não queria servir-se dessa doença para fazer um espectáculo, queria mostrar a vida".

É justamente por isso que esta peça vai a mais sítios do que outras criações paralelas de uma geração que quis, através do seu trabalho, encontrar um caminho para um corpo em perigo de desaparecimento: "Still/Here" (1994), de Bill T. Jones, a inacabada "Noces d'Or" (1992), de Dominique Bagouet (que foi bailarino de Béjart e cujas últimas peças tratavam do conflito entre a falta de tempo e a nostalgia do desconhecido), e mesmo "Meinwarts" (1984), de Raimund Hoghe.

"Béjart utilizava tudo o que estava à sua volta procurando essa intimidade", sublinha Gil Roman. Essa intimidade, palavra que Gil Roman vai repetindo ao longo da conversa com o Ípsilon, não soçobra perante o facto de este ser um espectáculo para estádios ou salas não convencionais. Como se usasse uma lupa para ampliar a reflexão que queria fazer sobre o movimento, Maurice Béjart recorre neste espectáculo à estratégia da aranha. À profusão de imagens produzidas pelos figurinos, pela música e pelo expressionismo generalizado, Béjart acrescenta uma tessitura filigrânica no plano do movimento que, muito provavelmente, passará despercebida a parte do público, mas que prolonga uma pesquisa sobre o simbolismo de um corpo em movimento.

Há, como havia noutras peças, um trabalho de resgate do movimento, e por consequência do corpo, da máquina opressiva do efeito. Mas há, sobretudo nesta peça, muito pela evidente reacção ao tema da sida, uma dupla reflexão que sujeita o sentido imediato a uma outra leitura. Gil Roman fala de "um motor que alimentou os últimos anos de criação de Maurice Béjart". A peça parece reunir um conjunto de elementos caros ao coreógrafo: implicação do corpo ao nível da exigência física, sobreposição de elementos semióticos (figurinos, música, movimento) numa espiral coreográfica que abre campo à interpretação abstracta mas que não esquece a vontade de evidenciar, atenção à construção geométrica do corpo em cena e à necessidade de o intérprete procurar soluções que o libertem dessa grelha.

Conta-nos Gil Roman que "Maurice procurava o sentido da forma". O mais importante, nota, "não era que o percebessem, mas que o seguissem": "O que o público vai ver é um espectáculo. Ele não dizia o que estava a fazer. Tímido como era, não afirmava, sugeria". E, mesmo sem ele, o espectáculo continua.

"Le Presbytère..." de Maurice Béjart, um dos mais influentes coreógrafos da segunda metade do século XX. Desde ontem, no Coliseu dos Recreios, é o corpo ausente, vítima da sida, que sobe ao palco.

CORNELIUS CARDEW



A exposição e o programa paralelo dão conta do legado de um dos nomes fundamentais da música produzida na segunda metade do século XX.

Uma exposição e um programa paralelo excepcional: "Cornelius Cardew e a Liberdade da Escuta" chega à Culturgest-Porto, a 8 de Maio, depois de ter passado por Brétigny, França, e Estugarda, Alemanha. A iniciativa, comissariada por um quarteto formado por Dean Inkster, Jean-Jacques Palix, Lore Gablier e Pierre Bal-Blanc, dá conta do percurso e do legado de um dos nomes fundamentais da música produzida na segunda metade do século XX. No final dos anos 1950, Cardew (1936-1981) foi responsável pela divulgação junto do público inglês de diversos compositores ligados à vanguarda norte-americana, como John Cage, Morton Feldman, La Monte Young e Christian Wolff. Nessa época, escreveu porventura aquelas que são as suas obras mais conhecidas: "Treatise" (1963-67) e "The Great Learning" (1968-71), uma obra experimental inspirada em versões de textos de Confúcio elaboradas por Ezra Pound. Em 1966, Cardew juntou-se aos AMM, grupo de improvisação livre, que, entre os fundadores, conta com o guitarrista Keith Rowe e o percussionista e baterista Eddie Prévost.

Dois anos depois, o compositor inglês criou ainda, com Howard Skempton e Michael Parsons, a Scratch Orchestra. Cardew voltou-se então para um projecto político de cariz marxista-maoísta, em que a música participava do objectivo de libertação do povo, inspirando-se, para o efeito, na tradição popular inglesa e criando temas que ostentavam títulos como "Smash the social contract" e publicando ainda, em 1974, o livro "Stockhausen serve o imperialismo." Estes e outros aspectos da vida e obra de Cardew - que morreu atropelado em circunstâncias ainda não totalmente claras, segundo o seu biógrafo e amigo, o pianista John Tilbury - serão revisitados, até 25 de Junho, numa sucessão impressionante de concertos, conferências e performances, que incluem, entre outros, os nomes de Christian Wolff, Tania Chen, Keith Rowe, Marcus Schmickler, Piotr Kurek, Rhys Chatam, Nina Canal, John Tilbury e Terre Thaemlitz. Imperdível.

Para além da exposição, este projecto engloba ainda um intenso programa de concertos, performances e conversas, ao longo do qual vários músicos e artistas internacionais interpretam partituras de Cardew e respondem ao seu trabalho de formas muito diversas, dando conta quer da duradoura vitalidade do trabalho do compositor e do seu contributo fundamental para a história da música experimental, quer da ressonância actual da sua obra e das suas ideias nas práticas musicais e artísticas contemporâneas.

Cornelius Cardew é indiscutivelmente um dos mais importantes compositores da segunda metade do século XX. Embora não tenha tido ainda um reconhecimento público alargado – ao contrário de Karlheinz Stockhausen e de John Cage, que influenciaram decisivamente a sua obra num período inicial –, Cardew inspirou toda uma geração de compositores e músicos de vanguarda, sendo reivindicado como importante influência por nomes como Gavin Bryars, Brian Eno, Michael Nyman, Frederic Rzewski ou Christian Wolff.

14/05/2010

LHASA

Tão repentinamente como surgiu também assim partiu: Lhasa de Sela, cantora e compositora nascida em Nova Iorque, mas profundamente influenciada pela cultura mexicana, faleceu no dia 1 de Janeiro deste ano, aos 37 anos de idade, de um cancro da mama, contra o qual lutava há 21 meses. Deixou pai, mãe, irmãos, sobrinhos, e um culto de fãs indefectíveis, reflectido no milhão de cópias que os seus três discos venderam.

Lhasa é filha do escritor mexicano Alejandro Sela e da fotógrafa norte-americana Alexandra Karam. Com os pais viveu sete anos na estrada. Sete anos a bordo de uma caravana, em busca de palavras e imagens, acompanhada pelos pais e irmãs entre caminhos alcatroados ou a terra batida entre o México e os Estados Unidos. Uma vida sem destino traçado que a levou, pela separação dos pais, a San Francisco, para onde se mudou na companhia da mãe e se estreou a cantar Billie Holliday. Tinha 17 anos, e uma voz que já era capaz de sugerir melancolia e infinita tristeza.

Com uma das irmãs, muda-se, mais tarde, para o Canadá, onde conhece Yves Desrosiers. O guitarrista personagem-gatilho num processo de descoberta de uma personalidade única iniciado numa colaboração há seis anos no Festival de Jazz de Montreal, que agora se expressa através das canções registadas no soberbo e tocante «La Llorona».
O disco, integralmente cantado em castelhano, transporta-a para o México de seu pai e aos dias de estrada sem fim. Em busca das palavras e das imagens da senda incessante que acompanhava anos antes. E em «La Llorona» capta-as, num registo de sensibilidade cortante que vive, sobretudo, de uma voz que se exige descobrir. Uma voz que sofre, chora, encanta, sente e faz sentir.

Entre canções tradicionais mexicanas e originais embebidos em deserto e areia, Lhasa evoca paisagens largas, grandiosas, solarengas, quentes. Personagens estranhos, fantasmas, demónios. E tempos distantes. Tempos anteriores à colonização espanhola, através de lendas recordadas, entre elas a que dá titulo ao disco. A lenda de La Llorona, a esposa da serpente com penas Quetzal, que atraía, em noites quentes, os homens às margens dos rios com cantos melancólicos de forte carga erótica, para depois os beijar e transformar em pedra.

Lhasa poderia ser La Llorona. A sua voz atrai, esmaga, conquista. Só não transforma em pedra, caso contrário este texto teria sido bem mais difícil de escrever. Nada como dedos de carne e osso com articulações à mistura.
Essencialmente paisagista, o disco transporta-nos irremediavelmente para as latitudes que canta. Expressivas, voz e composição traçam o Mexico por linhas de som. «El Desierto», a canção que descodifica toda a carga do canto e música de Lhasa, é o momento do disco onde a cantora e o guitarrista canadiano que a acompanha nesta operação mais ousam o desafio da colisão das paisagens e tradições evocadas com o presente, num quadro que sugere imagens longas e belas.

Este será o momento onde Lhasa mais se destaca de todas as marcas da tradição do canto das rancheras que evoca claramente em todo o disco. Um momento que assimila e reinterpreta México, e deserto por linhas novas, suas, estilizadas. Uma antecâmara de uma obra que certamente poderá conhecer novo e mais ousado capítulo. " Lhasa - La llorona (23-08-1998, Diário de Notícias)by Nuno Galopin

11/05/2010

SWEET APPLE

Sweet Apple com quatro figuras notáveis do pesado rock indie, pode ser considerado como um super grupo. Os seus membros mais notáveis são J Mascis dos Dinosaur Jr., o lendário rocker não toca guitarra ou canta, em vez disso, é o baterista. À frente na guitarra e vocais estão John Petkovic (também membro dos Guided by Voices, aparecendo no álbum Mag Earwhig! e J Mascis & the Fog) e Tim Parnind ambos da marginal banda de Cleveland, Cobra Verde, e balançando no baixo Dave Sweetapple, que tocou nos Witch, o outro side-project de J Mascis. Separadamente, Cobra Verde, Dinosaur Jr. e Witch executam e combinam a gama pop-punk, grunge e proto-stoner metal, tirando o máximo do rock estereotipado dos anos 70.
Sweet Apple: Love & Desperation, foi lançado pelo selo indie hard rock Tee Pee Records em Abril de 2010.

10/05/2010

A Arte do Vale Tudo

Uma performance do artista plástico e cientista social, Pedro Costa, realizada no 13º Salão de Artes Visuais de Natal em Março passado, causou polémica. Membro do grupo “Solange Tô Aberta!”, Costa tirou a roupa em frente ao público e, de quatro, tirou um terço… do cú.

A performance foi filmada e está em exibição, na galeria Newton Navarro, da Funcarte. O terço também está em exposição. O artista explicou que a sua obra representa “a descolonização do corpo através da excretação do terço, um dos símbolos do domínio colonialista”.

Piadas não faltam sobre o assunto, assim como severas críticas ácidas de especialistas e leigos.

Segundo o próprio artista, a performance “representa a salvação. Uma salvação mítica que muitos gays acreditam haver para sublimar o facto de contrair uma doença sem cura. Como crítica, o ânus, lugar da morte gay, necessita da salvação, concedida pelo terço, em nossa sociedade ocidental dominada pela instituição católica e imposta como única forma de compreender o mundo e as relações humanas”.

Pedro já é bem conhecido por suas performances não muito bem vistas pela cultura da sociedade em geral. A sua banda , o Solange to Aberta! tem uma proposta interessante que une letras agressivamente sexuais, as batidas libidinosas do funk e performances que quebram todos os padrões de comportamento.

O vale-tudo na arte contemporânea, “Piss Christ”, do artista internacionalmente aclamado Andres Serrano, tem uma fotografia de um crucifixo mergulhado em urina.

Será que a célebre frase de Warhol- artistas em busca de 15 minutos de fama, se aplica.

Há dois anos o artista costa-riquenho Guillermo Habacuc amarrou um cachorro faminto no canto de uma galeria, os protestos vieram de sociedades protectora dos animais.No mês passado, o belga Wim Delvoye expôs porcos com tatuagens de Jesus Cristo e Nossa Senhora.

HERBIE HANCOCK

O pianista e músico de jazz americano Herbie Hancock comemora o 70º aniversário com "The imagine letters", um álbum e um documentário que serão publicados no dia 21 de Junho .

A lista de artistas e canções de "The imagine letters" será finalizada esta semana. Por enquanto já está definida a colaboração dos cantores Elton John e India Arieh em "Imagine", Seal e Pink em "Don't give up" e a banda irlandesa The Chieftains, o guitarrista africano Lionel Loueke e a cantora irlandesa Lisa Hannigan em "The times they are a changin".

O álbum guarda outras surpresas como "O tempo de amor", tema no qual colabora a cantora Céu, "Tamatant tilay" com o grupo tuaregue Tinariwen e Damian Marley, filho de Bob Marley; a música "Minha terra", em que Juanes canta, e "A Change is Gonna Come", com o jovem cantor inglês James Morrison.

Um documentário gravado nas sessões de estúdio de Herbie Hancock com os artistas e os músicos que participaram do disco completa o projecto

Depois da publicação do álbum, Hancock deve ir à Europa para oferecer 25 concertos que começa e termina nos Estados Unidos com um show no dia 24 de Junho no Carnegie Hall de Nova York e no dia 1 de Setembro no Hollywood Bowl de Los Angeles.

Com "The imagine letters", Hancock celebra toda vida dedicada ao jazz desde que se apresentou no palco com 11 anos tocando um concerto para piano de Mozart com a Chicago Symphony Orchestra.

Na sua carreira a solo colaborou com artistas como Chick Corea, Oscar Peterson, Stevie Wonder, Sting, Annie Lennox e Paul Simon.

O músico americano, ícone do jazz, foi agraciado com um Oscar em 1986 pela música do filme "Por volta da meia-noite" (1986) e seis Grammys.

William Shakespeare

"Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são ".

William Shakespeare
Inglaterra
[1564-1616]
Dramaturgo/Poeta/Actor/Compositor

07/05/2010

Bogdan Zwir

Weird author.Fotografo de arte experimental. Contrastes e paradoxos cercam Bogdan Zwir, desde a infância. Não importa o que os especialistas, críticos, conhecedores possam pensar e dizer, há uma pessoa em São Petersburgo, que admira o absurdo. Seu nome não é familiar mesmo aos bibliófilos mais obcecados porque simplesmente não há livros escritos por ele. Ele não pode ser chamado de pintor, porque tem uma idéia sobre as pinturas apenas com base na colecção do Hermitage e no Russian Museum. E por falar em fotógrafos, quem pode elogiar ou culpa as suas obras olhando para elas, mas eles alegam que, por unanimidade, não é a fotografia.

SHELLAC + MISSION OF BURMA

A Amplificasom, e a Mouco apresentam a estreia absoluta em Portugal dos Shellac, dinamizadores-dinamitadores do rock não-alinhado norte-americano.
Formados nos anos 1990 pelo ex-Big Black Steve Albini (guitarra, voz), engenheiro de som fundamental na definição identitária do melhor barulho independente das últimas décadas (gravou/pensou, entre centenas de outros, os Nirvana, os Pixies, as Breeders), Bob Weston (baixo, voz) e Todd Trainer (bateria, voz), os Shellac editaram até agora quatro álbuns pela reputada Touch & Go. "Excellent Italian Greyhound", é o mais recente.

Bob Weston integra igualmente os Mission of Burma que actuarão na primeira parte deste concerto. Esta é uma banda lendária cujo trabalho é apontado por críticos como um ponto charneira na música norte-americana com a sua mistura original de avant-rock noise com sonoridades mais melódicas, sendo citados como inspiração para músicos tão diversos como Sonic Youth, Moby, R.E.M ou Pearl Jam. Uma das características marcantes foi a forma inovadora como assumiram o trabalho de engenharia de som de Martin Swope como integral ao som da banda quer com as manipulações sonoras quer com a experimentação com ‘tape loops’. Na actual formação dos Mission of Burma, Weston veio assumir o papel de Swop.

Jon Rose "Violino Escravo - A True Story of a Slave Violinist"


O violinista, compositor e artista sonoro australiano Jon Rose é uma figura central para a nova música, improvisação e experimentação musical e em novos media.
Desde 1986, tem vindo a realizar o projecto "The Relative Violin" que consiste no desenvolvimento de uma forma de arte total baseada no violino.

Este projecto tem envolvido inovações no design do instrumento, modificações quer analógicas, quer com electrónica interactiva, novas técnicas instrumentais, performances, vídeos, obras para rádio, televisão, formas interdisciplinares como
performance-filme ou performances cruzadas com investigações sociais e ambientais, a organização de festivais dedicados ao violino e também a escrita de livros ("The Pink Violin" e "Violin Music in the Age of Shopping"). (...)

Para o concerto aqui apresentado Jon Rose vai buscar a figura de Joseph Emidy, um escravo africano, que chegou a segundo violino da Ópera de Lisboa. Mais tarde, e durante trinta anos, Emidy foi o compositor, violinista e professor mais conhecido do sudoeste de Inglaterra, apesar de mantido fora dos círculos musicais da capital devido às suas origens.

06/05/2010

THE SMITHS


The Smiths, «Strangeways, Here We Come» (1987)

Na capa aparece o actor Richard Davalos, que estava a olhar para James Dean.

THE BEATLES


The Beatles, «Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band» (1967)

Entre tantas caras podemos ver Mae West, Aleister Crowley, Fred Astaire, Tony Curtis e Karl Marx. A montagem foi feita por Jann Harworth e Peter Blake, que ganhou um Grammy

Arctic Monkeys,


Arctic Monkeys, «Whatever People Say I Am, That`s What I`m Not» (2006)

Na capa aparece o irmão de Jon McClure, Chris, que foi baleado

SMASHING PUMPKINS

Smashing Pumpkins, «Siamese Dream» (1993)

Na capa vemos duas gémeas siamesas, que foram separadas, que a banda voltou a tentar encontrar em 2007, mas sem sucesso

TOM YORKE

Radiohead, «The Bends» (1995)

O rosto  na foto é de Thom Yorke

VERA MANTERO

Nasceu em Lisboa em 1966. Estudou dança clássica até aos dezoito anos. Trabalhou durante cinco anos no Ballet Gulbenkian, em Lisboa. Em Nova Iorque e Paris, estudou dança contemporânea, voz e teatro e, nessa altura, abandonou totalmente as suas origens de ballet. Enquanto dançarina, trabalhou também em França, com Catherine Diverrès. Começou a criar a própria coreografia em 1987 e, desde 1991, tem vindo a apresentar o seu trabalho em teatros e festivais da Europa, do Brasil, dos E.U.A., do Canadá e de Singapura.É co-fundadora da improvável gazeta Elipse.

Em 1999, o teatro Culturgest, em Lisboa, organizou uma retrospectiva do seu trabalho. Participa regularmente em projectos de improvisação internacionais e dá formação em workshops de criação/composição e improvisação. Desde o ano de 2000 que Vera Mantero se dedica cada vez mais a projectos de voz e música.

Em 2002, Vera Mantero recebeu o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura) em homenagem à sua carreira enquanto intérprete e coreógrafa. Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004 em conjunto com o escultor Rui Chafes na criação conjunta de "Eating your heart out".

Em 2007, Vera Mantero co-realizou, com Miguel Gonçalves Mendes, e editou a sua versão do filme "Curso de Silêncio".

Para ela, a dança não é um dado adquirido; acredita que quanto menos aprender, mais próxima fica dela; usa a dança e o trabalho de intérprete para compreender o que tem de ser compreendido; vê cada vez menos sentido num intérprete especializado (um dançarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num intérprete completo com uma formação especial; encara a vida como um fenómeno complexo e incrivelmente rico e luta constantemente contra o empobrecimento do espírito, dos outros e dela própria, uma luta que considera essencial neste momento da história.

VERA MANTERO foi distinguida com o Prémio Gulbenkian Arte 2009, é uma das minhas artistas, dançarinas, e coreografas em Portugal. A Norte-americana, um dos mitos da dança moderna, Martha Graam, e Josephine Baker, são as minhas favoritas a nivel mundial.

A primeira peça de dança que eu vi em Portugal, foi, " A queda de um ego", em 1997 de Vera Mantero. Também não me esqueço da fantástica Clara Andermatt .

04/05/2010

FRANK ZAPPA

Nascido no dia 21 de Dezembro de 1940, em Baltimore, Maryland, Frank Vicent Zappa era filho de um meteorologista que trabalhava para o exército americano. Fez 17 anos que morreu Frank Zappa , 04/12/1993.

Frank Zappa morre aos 52 anos de cancro na próstata.Deixou mulher, Gail, e quatro filhos (Moon Unit, Dweezil, Ahmet Rodan e Diva)

A sua vida mudou aos 14 anos, quando teve nas suas mãos o disco, The Complete Works, Vol. 1, de Edgard Varèse.

A primeira performance pública de Frank Zappa foi em 1963, no programa de TV de Steve Allen. Zappa, então com 22 anos de idade, executou um "Concerto Para Bicicleta Percurtida Por Baquetas", acompanhado por um grupo de jazz que fornecia sons atonais para o concerto - isto no mesmo ano em que os Beatles lançavam "Love Me Do".

Aos 18 anos, Zappa compôs a banda sonora de dois filmes de baixo orçamento: Run Home Slow, escrito pelo seu professor de inglês, e The World's Greatest Sinner, para o qual contratou uma orquestra de 52 músicos.

Em 1963, ele entrou para a banda de rythm and blues The Soul Giants.

Um dos mais rebeldes, extravagantes, cínico, mordaz, irónico, polémico, inovador, todos adjectivos usados para descrever um dos músicos mais expressivos de sempre. Nunca se encaixou em nenhum rótulo ou tendência.É impossível ficar indiferente.

A sua música revela influências da música clássica, Stravinsky, Stockhausen e Edgard Varèse, bem como do Doo-Woop, Rock and Roll dos anos 50 e do Jazz, tudo pontuado por uma grande habilidade no manejo de vários instrumentos, principalmente a guitarra.

Zappa foi um crítico incansável e contundente, que usava a sátira e o comentário social contra o conformismo, a mediocridade e a hipocrisia. O american way of life era um de seus alvos preferenciais, bem como a Igreja, com sua moral duvidosa, e o Estado, que eram considerados por ele uma coisa só.

As suas bandas são ponto de partida para várias carreiras importantes - Jean Luc Ponty, George Duke, Terry Bozzio, Warren Cucurullo, Adrian Belew e Steve Vai. Zappa é também responsável directo pelo surgimento das carreiras de Captain Beefheart, Sugarcane Harris e Alice Cooper Band, gravando-os no seu selo Bizarre Records, subsidiária da Reprise Records, que por sua vez é um braço da Warner Bros.Records.

Estupidez até pode ter um certo charme. Ignorância não. - Frank Zappa

Alguns cientistas acreditam que hidrogénio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogénio. Estupidez é o elemento básico do universo. - Frank Zappa

Drogas são horríveis. Elas acabam com seu coração, o seu fígado e o seu cérebro. E o pior de tudo é que deixam você igual aos seus pais. - Frank Zappa

Pessoas consomem produtos via respiratória para poderem diminuir seu nível intelectual e assim poderem se sentir parte da turma. Afinal, ninguém gosta de andar com quem é mais inteligente do que você. Isto não é divertido. - Frank Zappa

Black Rebel Motorcycle Club



Acabei agora de ver no talk show de Jimmy Fallon os Black Rebel Motorcycle Club, que tocaram a música “Beat The Devil’s Tattoo”, do último disco da banda.

Boa a performance do poder que o trio demonstra nos ao vivo, e mostrando a nova baterista do grupo, Leah Shapiro, que veio substituir o baterista fundador,o inglês Nick Jago.

02/05/2010

HENRY ROLLINS

Henry Rollins Hot Animal Machine, 1986

THE RESIDENTS

The Residents The White Single, 1984

A Man and a Machine - Selected by Stephane Ritzenthaler et Philippe Pierre-Adolphe

A Man and a Machine - Selected by Stephane Ritzenthaler et Philippe Pierre-Adolphe

CD1: Cold Side

1 Fad Gadget - State of the Nation 3:51
2 Love and Rockets - No Big Deal 4:51
3 The Neon Judgement - The Fashion Party (Live) 6:01
4 The Normal - Warm Leatherette 3:22
5 The Flying Lizards - Money
6 Can - Moonshake 3:00
7 Wire - Illuminated 6:58
8 J.J. Burnel - Euroman 3:26
9 Suicide - Radiation 3:00
10 Throbbing Gristle - Hot on the Heels of Love 4:18
11 Grauzone - Eisbär 4:10
12 Tuxedomoon - What Use ? 3:55
13 Liaisons Dangereuses - Los niños del parque 5:01
14 Trisomie 21 - There's No Trouble Here 4:36
15 The Weathermen - Punishment Park (Disneyland) 4:58
16 He Said - Pump 6:07
17 Craig Peyton - Be Thankful for What You Got (Unique Mix) 6:29

CD2: Warm Side

1 Telex - Drama Drama 3:56
2 Gina X Performance - No GDM 5:55
3 Nacht und Nebel - Beats of Love 5:24
4 Robert Görl - A Ist Wieder Da 3:37
5 Klein + M.B.O. - Wonderful (Radio Version) 4:44
6 Craig Peyton - Be Thankful for What You Got 6:54
7 Gino Soccio - Who Dunnit ? 5:41
8 Beside w/ Bernard Fowler - Odeon 6:47
9 Paul Haig - Blue for You (Interference Mix) 4:59
10 Repetition - A Full Rotation 3:58
11 Deadline - Makossa Rock 4:01
12 Cabaret Voltaire - Do Right 6:40
13 Section 25 - Looking From a Hilltop 4:06
14 Suicide - Dream Baby Dream 6:2